O Recuo de Constantino diante do Bolsonarismo

O Recuo de Constantino diante do Bolsonarismo

Em meio ao racha que se aprofunda na direita brasileira — entre os bolsonaristas fiéis e a chamada “falsa direita” que nunca apoiou Jair Bolsonaro nem seus filhos —, Rodrigo Constantino (@Rconstantino) ergueu, nesta quarta-feira (15 de abril de 2026), a “bandeira branca da paz”. Em vídeo postado em seu perfil no X, ele declara: “Bandeira branca da paz: minha promessa de focar no que realmente importa!”. O tom conciliador, no entanto, soa mais como rendição do que como reconciliação genuína. É o recuo estratégico de quem percebe que a base majoritária do bolsonarismo está unida em torno de Flávio Bolsonaro e que as intrigas de anos não conseguiram romper essa lealdade.

Os bolsonaristas sempre estiveram com Flávio. Desde o momento em que o próprio presidente Jair Bolsonaro escreveu a carta pública indicando o filho para o Senado, os apoiadores do ex-presidente o abraçaram sem ressalvas. Não houve hesitação, não houve condicionamentos, não houve “mas”. Flávio foi tratado como legítimo herdeiro político da família Bolsonaro e, por extensão, da causa que elegeu o pai em 2018. Essa lealdade nunca foi negociável para a base.

A “direita moderada” — da qual Constantino é um dos principais porta-vozes — nunca engoliu a indicação. Resistiu desde o primeiro dia, questionou a capacidade, espalhou dúvidas e, quando possível, alimentou narrativas que enfraqueciam o nome de Flávio. Grande parte dessa turma ainda não prestou apoio explícito e consistente. Figuras ligadas a Nikolas Ferreira, Michelle Bolsonaro e outros círculos “anti-radicalização” seguem reticentes, enquanto compartilham conteúdos de quem sempre xingou Bolsonaro e luta abertamente contra o bolsonarismo. É o clássico caso de quem quer colher os votos da direita sem assumir o custo de defender quem realmente a representa.

Não se trata de uma divergência pontual. É um padrão de anos:

  • Eleição de Flávio ao Senado (2018): Enquanto os bolsonaristas celebravam a vitória esmagadora de Flávio como o senador mais votado do Rio de Janeiro (mais de 4,3 milhões de votos), a ala moderada — com Rodrigo Constantino entre os principais influenciadores — já semeava desconfiança sobre o suposto “dinastismo” e questionava se o filho teria envergadura política própria.
  • Início do governo Bolsonaro (2019): Constantino defendeu publicamente que as investigações sobre Flávio Bolsonaro deveriam continuar, mesmo com o claro oportunismo da esquerda e da mídia contra a família. Ele argumentou que “a direita defende isso”, alimentando narrativas que enfraqueciam a imagem do senador recém-eleito.
  • Período de governo Bolsonaro (2019-2022): Sempre que Flávio se posicionava de forma mais dura em pautas conservadoras ou defendia o governo sem meias palavras, Constantino e seus pares questionavam o tom, o estilo e a “inteligência política” do senador, contrastando-o com a suposta “maturidade” da direita “civilizada”. Críticas veladas ao “radicalismo” da família eram frequentes.
  • Pós-derrota eleitoral de 2022: Com a derrota de Jair Bolsonaro e o exílio político que se seguiu, ganhou força o discurso de “virar a página” e “superar o bolsonarismo tóxico”. Constantino foi um dos mais ativos em tentar separar uma suposta “direita decente” do bolsonarismo, com Flávio frequentemente servindo como alvo indireto ou direto das críticas sobre isolamento e falta de diálogo amplo.
  • 2023 a 2025: À medida que Flávio consolidava apoio da base bolsonarista e se projetava como nome forte para 2026, surgiam críticas veladas ou diretas de Constantino sobre “radicalismo”, “telhado de vidro” e o “risco de não viabilizar alianças”. O objetivo era claro: criar fissuras entre os bolsonaristas e o senador, enfraquecendo a unidade familiar que sustenta o movimento.
  • Dezembro de 2025: Jair Messias Bolsonaro, na prisão, escreve carta indicando Flávio como pré-candidato à Presidência da República em 2026. A indicação é publicizada no início do mês e formalizada na carta lida por Flávio em 25 de dezembro. Os bolsonaristas recebem a decisão com total apoio e unidade. Constantino, no entanto, continua questionando o custo político da candidatura e fazendo ressalvas.
  • Abril de 2026: Com a força eleitoral dos bolsonaristas novamente evidente, Flávio consolidado como o indicado pelo pai e a base majoritária permanecendo unida em torno dele, Rodrigo Constantino hasteia a “bandeira branca da paz” (“minha promessa de focar no que realmente importa”). O recuo acontece após críticas recentes, inclusive sobre as “intrigas” dos irmãos de Flávio, que geraram forte reação de Eduardo Bolsonaro.

Não há como os bolsonaristas estarem “dividindo a direita”. Eles são a maior parte dela. Quem realmente divide é quem fala mal dos filhos do presidente, resiste em apoiá-los como devem ser apoiados e, ao mesmo tempo, engaja conteúdos de quem sempre combateu Bolsonaro. Essa é a verdadeira operação de fissão: fingir que se está do lado da direita enquanto se torpedeia o núcleo duro que a mantém viva.

O recuo de Rodrigo Constantino não é generosidade. É cálculo. Ele percebeu que o bolsonarismo não se fragmentou e que Flávio, longe de ser um peso, é hoje um ativo central da base. A bandeira branca, portanto, não é paz, é admissão de que a estratégia de intrigas não funcionou. Os bolsonaristas nunca precisaram de bandeira branca. Eles sempre estiveram juntos, desde a carta de Bolsonaro até hoje. E continuam.

AnteMundum.com

Patriota, Bolsonarista, Armamentista e Cristão, tentando seguir a vida expressando minha opinião, lutando por liberdade e um Brasil mais justo para nossos filhos. Juntos somos mais fortes.

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