De 31 investigados do INSS, nenhum é Bolsonarista
A Polícia Federal (PF) intimou 31 pessoas para prestar depoimento no inquérito que apura a “Farra do INSS” — esquema bilionário de descontos indevidos em benefícios previdenciários por meio de acordos de cooperação técnica com entidades de fachada. O caso, revelado inicialmente pelo Metrópoles, avança com a primeira delação premiada: a do empresário Maurício Camisotti, que controlava as associações Ambec (Associação de Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos), Unsbras (União dos Aposentados e Pensionistas do Brasil) e Cebap (Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas). Nessas entidades, diretores estatutários eram, em muitos casos, laranjas, parentes ou funcionários do próprio grupo empresarial de Camisotti e do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.
A lista de intimados, obtida pela PF após a delação de Camisotti (já encaminhada ao ministro André Mendonça, relator no STF), reforça o que a grande mídia petista tenta ocultar: nenhum dos investigados tem ligação pública com o bolsonarismo ou com a direita conservadora. Os nomes apontam para um núcleo de ex-funcionários do INSS/Previdência, empresários, contadores, advogados, assessores parlamentares e figuras próximas ao PT e a parlamentares de centro-esquerda (PDT, União Brasil etc.).
Farra do INSS: Quem são os 31 a prestar depoimento na PF?
- Romeu Carvalho Antunes: Filho do lobista Antônio Camilo Antunes (“Careca do INSS”). Preso preventivamente junto com o pai na Papuda. Atuava como operador no esquema de captação e repasse de recursos das associações.
- Tiago Schettini Batista: Empresário apontado pela PF como sócio oculto do Careca do INSS. Controlava de fato entidades como a CBPA (Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura). Está nos EUA e responde a mandado de prisão preventiva; usava blindagem societária para ocultar participação em call center investigado.
- Domingos Sávio de Castro: Alvo de prisão preventiva na Operação Sem Desconto. Ligado ao núcleo operacional das associações controladas por Camisotti e Careca.
- Adelino Rodrigues Junior: Alvo de prisão preventiva. Integrante do núcleo financeiro e societário do esquema.
- Rubens Oliveira Costa: Economista e ex-funcionário/associado do Careca do INSS. Atuava em funções administrativas e contábeis das entidades.
- Alexandre Caetano: Alvo de prisão preventiva. Operador no núcleo de controle das associações.
- Milton Salvador de Almeida Júnior: Associado ao grupo empresarial de Camisotti/Careca.
- Eric Douglas Martins Fidelis: Alvo de prisão preventiva. Parte do núcleo operacional.
- Paulo Gabriel Negreiros: Ligado a funções administrativas nas entidades de fachada.
- Alexandre Guimarães: Alvo de prisão preventiva. Integrante do esquema de descontos.
- Marcos de Brito Campos Júnior: Associado às operações societárias das associações.
- Rodrigo Moraes: Envolvido em funções de suporte ao esquema.
- Gustavo Marques Gaspar: Empresário e ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA). Intimado por suposta participação no núcleo político-empresarial.
- Adroaldo da Cunha Portal: Ex-número 2 do Ministério da Previdência Social (governo Lula). Preso preventivamente em dezembro de 2025. Acusado de facilitar acordos de cooperação técnica que viabilizaram o esquema.
- Helio Marcelino Loreno: Associado às entidades controladas por Camisotti.
- Cristiana Alcantara Alves Zago: Integrante do quadro societário ou diretivo das associações investigadas.
- Erick Janson Vieira Monteiro Marinho (ou Erik Marinho): 2º suplente do senador Efraim Filho (União Brasil-PB). Apontado como integrante do núcleo financeiro; dividia cotas de aeronave com o Careca do INSS e sua esposa Joelma.
- Joelma dos Santos Campos: Esposa de Erick Janson Vieira Monteiro Marinho. Aparece em planilhas e documentos de cotas de avião ligadas ao Careca.
- Alexandre Moreira: Associado operacional ao grupo.
- Aldo Luiz Ferreira: Alvo de prisão preventiva na fase anterior. Ligado ao núcleo de controle.
- Heitor Souza Cunha: Envolvido em funções administrativas das entidades.
- Danielle Miranda Fonteneles: Publicitária. Intimada por suposta atuação em comunicação e intermediação do esquema.
- Silvio Roberto Machado Feitoza: Associado às operações contábeis e societárias.
- Daniel Orsini: Parte do quadro de colaboradores das associações.
- Victor Infante Aiello: Integrante do esquema de descontos.
- Cleber Ribas de Oliveira: Associado ao núcleo administrativo.
- Eduardo Silva Portal: Parente ou associado próximo de Adroaldo da Cunha Portal.
- Vanessa Barramacher dos Reis: Envolvida em funções de apoio.
- Thiago Marques dos Reis: Associado operacional.
- Leonardo Soares Araújo: Integrante do quadro societário ou diretivo.
- Roberta Luchsinger: Empresária e sócia da RL Consultoria e Intermediações. Amiga pessoal de Fábio Luís Lula da Silva (“Lulinha”). Recebeu R$ 1,5 milhão em parcelas do Careca do INSS, com mensagens indicando repasses ao “filho do rapaz” (referência a Lulinha). Intimada para esclarecer intermediação.
A delação de Camisotti — o primeiro acordo premiado da Operação Sem Desconto — confirma que o esquema operava com laranjas em pelo menos sete entidades que faturaram mais de R$ 1,7 bilhão. Os descontos eram feitos diretamente na folha de pagamento do INSS, sem consentimento real dos aposentados, gerando rombo estimado em até R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
Democracia relativa
Enquanto bolsonaristas são criminalizados por “atos antidemocráticos” ou por questionar o sistema eleitoral, o inquérito da Farra do INSS revela um ecossistema de poder que floresceu no coração da máquina pública petista: ex-alto escalão da Previdência, assessores de senadores aliados, amigos do núcleo familiar de Lula e lobistas que circularam nos governos do PT. Nenhum nome da direita que combate o sistema aparece na lista. O silêncio seletivo da mídia mainstream é, mais uma vez, a maior prova de que a “defesa da democracia” vale apenas quando o alvo é o adversário político.
A PF segue avançando. As oitivas estão marcadas para maio e junho de 2026. O cerco se fecha sobre o mesmo grupo que, mais uma vez, transformou o INSS em fonte de recursos para o aparelhamento e o enriquecimento privado. O contribuinte e o aposentado brasileiro pagam a conta.
